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Não precisa ler esse post se sua empresa nunca fracassou

Você sabia que existe um evento que promove o compartilhamento de fracassos? São histórias de empreendedores que erram e dividem seus aprendizados. Chama-se Fuckup Nights e esse formato de evento ocorre em diversos países. Aquela máxima de que aprendemos com os erros é verdade e porque não compartilhá-los, não é mesmo? O intuito aqui não é fazer um jabá do evento e, sim, levantar uma reflexão de que nossos “fuckups” também podem ser interessantes em uma narrativa.

 

Estamos acostumados na internet e em eventos a ver muitas histórias inspiradoras, métodos que deram certo, empresários de sucesso. As mídias sociais vivem essa realidade, todos compartilham fotos de dias incríveis, textos sobre um evento muito legal e assim por diante. Mas já parou para pensar que muitas vezes são aquelas histórias tristes que nos chamam atenção? Que acabamos contando com mais facilidade que a empresa X faliu, do que a empresa Y soluciona a vida de tantas pessoas em determinado aspecto?

 

 

Pois é, mas contar uma história de fracasso não é fácil e comum. Quando pensamos em montar um pitch para investidores, então, nem pensar falar dos desafios que a empresa enfrentou, não é mesmo? Pois foi justamente quebrando regras que grandes líderes criaram negócios inovadores. Também é possível inovar em uma apresentação. Adam Grant, na sua obra Originals, abordou essa perspectiva, que chamou de Sarick Effect. O nome é uma brincadeira que o autor fez, quem ler a obra vai entender, mas trata da ideia de falar contra sua própria solução em um primeiro momento do seu pitch, o que pode melhorar a recepção do público. Parece loucura, mas tem suas vantagens, entenda.

 

O autor trouxe como um dos exemplos o caso de Rufus Griscom, que usou esse “efeito” quando buscava investimento para a sua startup Babble. O empreendedor fez o oposto da maioria dos empresários e apresentou a possíveis investidores um slide deck, intitulado “Por que você não deveria comprar minha empresa”, com as 5 principais razões para não investir em sua startup. Como resultado, inesperado para muitos, Griscom levantou US$ 3,3 milhões em financiamento naquele época. Depois de um tempo, o empreendedor novamente usou esse formato de pitch para apresentar seu negócio a divisão digital da Disney e acabou vendendo a empresa por 40 milhões de dólares.

 

 

Você deve estar se perguntando porque o pitch dele deu certo, que efeito é esse? Começamos humildemente concordando que todos nós temos fraquezas em nossas empresas, startups, projetos e assim por diante. A ideia é compartilhar esses pontos no começo, tirando da audiência o trabalho de encontrar os problemas para argumentar depois. Apresentar pontos negativos do negócio pode, ironicamente, tornar mais difícil para o público pensar neles.

 

Com isso, um dos efeitos que uma história de fracasso gera é desarmar o público. Ou seja, estamos sempre prontos a criticar empreendedores de palco, aqueles que contam apenas vantagens e que tudo é lindo, pois eles tendem a parecer os famosos vendedores que enchem a bola do produto que representam, mostrando trezentos benefícios e “empurrando” muitas vezes coisas que não temos interesse algum. Por outro lado, se uma pessoa começa a falar da sua empresa contando que o seu MVP foi um fracasso, que não tinha nada a ver com o que o seu público precisava e não teve adesão alguma, naturalmente tendemos a voltar nossa atenção e nos colocar no lugar daquele que está contando.

 

Outra questão é que iniciar uma narrativa com pontos negativos da história acaba aumentando a confiança do espectador. Isso porque dificilmente alguém vai inventar um fracasso, não é mesmo? É comum aumentarmos os benefícios para deixar uma ideia ainda mais brilhante, mas piorar algo considerado “ruim” para uma empresa não é o que empreendedores desejam contar em um pitch, muito menos para investidores. Além disso, mostrar falhas dá um tom mais humano a apresentação e acaba tornando pessoas mais vulneráveis, mudando a atenção de autodefesa para a resolução de problemas.

 

Claro que isso não é uma regra e, com certeza, seu negócio deve ter pontos fortes que devem ser compartilhados. Mas, pense nesses argumentos apresentados acima quando for construir seu próximo pitch. Quem sabe inovando na apresentação, você garante a empatia e conexão com aquele investidor que tanto busca conquistar?

By | 2019-01-25T17:49:25+00:00 janeiro 25th, 2019|Blog, Catalyst|0 Comentários

Sobre o Autor:

Empreendedora, especialista em gestão de processos e pessoas, com certificação em design thinking. Apaixonada por inovação, tem atuação em desenvolvimento de projetos inovadores, marketing, inteligência de mercado e gestão de verticais de negócios de base tecnológica. Hoje é cofundadora do Dazideia, comunidade catalisadora de inovação que conecta pessoas e ideias.
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