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Empatia como ferramenta da Liderança Criativa

Há quem diga que para exercitar a Empatia é preciso calçar os sapatos de outra pessoa e experimentar o que ela sente. Tentar viver o que ela vive, sentir as suas dores.

Embora seja um exercício interessante, ele é apenas metade do caminho. E talvez até gere mais engano que resolução. Veja, quando tentamos ‘vestir o sapato’ de outro para compreender sua realidade, pode ser que vamos sentir algumas dores. Mas, somos pessoas diferentes e nossa interpretação da realidade será diferente. Ou seja, o risco de tentar experimentar o sentimento do outro é a presunção. Presumir que se compreende o que o outro sente ou pensa. E a presunção nos mantém perigosamente distantes do outro.

O exercício de Empatia é, na verdade, um exercício de comunicação. É preciso conversar de maneira aberta, sem julgamentos, com compaixão. Ou seja, não é tão fácil quanto caminhar cem ou mil metros com os seus sapatos.

Conversar e observar.

Procurar compreender os valores e prioridades daquele com quem queremos gerar empatia. O caminho é um pouco mais complexo, mas com o tempo e prática fica fácil. O elemento mais importante, na verdade, é uma pequena mudança de perspectiva.

Ao procurar empatizar com alguém, devemos evitar pensar em “Como posso mudar a vida desta pessoa?” e observar como a tentativa de compreensão da vida de outro muda a nós mesmos. Em outras palavras, não é colocar-se no lugar do outro. Mas, o esforço de aceitar com profundidade, respeito e compaixão.

A Empatia é uma habilidade natural de todo ser humano saudável. Ela pode ser explicada aos olhos da Biologia, tanto quanto da Antropologia e da Psicologia. É intrínseca à humanidade desde seus momentos fundacionais.

 

1. Neurociência da Empatia

Você sabe o que acontece em seu cérebro quando vê alguém sofrer um acidente, contar uma história ou saborear seu doce preferido? Você e a outra pessoa entram em uma espécie de sintonia cerebral. Isto porque as mesmas áreas de seus cérebros são ativadas. Ainda que você não esteja passando exatamente pela mesma experiência, há uma conexão invisível. E esta conexão se dá graças aos chamados “neurônios espelho”.

Em estudos de imagem por meio de ressonância magnética, a propriedade de “espelhar” pode ser observada em diferentes grupos de neurônios de diversas áreas do cérebro. Embora seja um objeto de estudos razoavelmente recente, para muitos cientistas esta propriedade dá indícios de que possuímos um sistema biológico configurado para a empatia.

 

2. Empatia no desenvolvimento das sociedades humanas

A colaboração é uma habilidade associada à conformidade. De forma espontânea, colaboramos preferencialmente com nossos semelhantes.

Assim, ao longo da história, a capacidade de reconhecer os grupos sociais dos quais fazemos parte foi essencial para a evolução da espécie. Os homens primitivos reconheciam como seus semelhantes apenas os familiares mais próximos, de laços consanguíneos. E colaboravam entre si, apenas. Todos os demais eram considerados ameaças, o que levava a frequentes conflitos e a limitação da população, da expectativa de vida e do desenvolvimento social.

Aos poucos, passamos a reconhecer famílias estendidas, tribos e núcleos sociais diversos como semelhantes. Logo, grupos que compartilhavam fés religiosas semelhantes também passaram a se reconhecer e, enfim, indivíduos de mesma nacionalidade, também. Este reconhecimento de que pertencemos à mesma espécie e portanto podemos colaborar de forma pacífica para o bem comum é chave para o desenvolvimento social e tecnológico dos dias de hoje.

Ainda há novos passos a dar, como o reconhecimento do ser humano global como semelhante. A conexão entre homens e mulheres de todas as origens, culturas, crenças e condições sociais é o próximo salto de nossa evolução empática.

 

3. Empatia no desenvolvimento cognitivo e emocional

Também no campo individual temos passos importantes dados graças à empatia. Nos primeiros anos de vida, toda criança passa por diversas fases de seu processo de desenvolvimento cognitivo e emocional. Entre muitas outras capacidades é desenvolvida a de compreender a si mesma e aos demais como indivíduos. A criança aos poucos começa a ser capaz de pensar de maneira abstrata, de conceber ideias e de perceber os outros e seus sentimentos. Este processo desafia nossa capacidade empática. E acabamos nos reconhecendo como indivíduos graças a construção de nossas relações com os outros.

Conforme compreendemos nossos próprios sentimentos, compreendemos também os sentimentos dos demais. Daí a importância da educação emocional. Ser capaz de reconhecer e lidar com os próprios sentimentos é fundamental para reconhecer e lidar com os sentimentos de outros.

Em outras palavras a empatia é um super-poder, talvez uma das mais importantes competências que podemos desenvolver como seres humanos. Ela se relaciona com o autoconhecimento e a capacidade de liderar a si mesmo tanto quanto com o conhecimento de nossos pares e a capacidade de liderá-los.

No mundo de hoje, de crescentes ambiguidades e incertezas, desenvolver este super poder é essencial para líderes criativos. Conectar-se com pessoas com os mais diversos interesses e aspirações para ser capaz de cooperar e colaborar a fim de alcançar benefícios mútuos.

Como você está se preparando para isso? Como pensam as pessoas que cercam você? Todos pensam e agem de forma semelhante? Você se vê frequentemente frente aos mesmos impasses e conflitos?

By | 2017-10-22T16:47:35+00:00 junho 2nd, 2017|Blog, Parceiro|0 Comentários

Sobre o Autor:

Gosto de criatividade, de desafiar o status quo, de fazer conexões verdadeiras, de dar tempo e oportunidades às ideias e às pessoas. Sou apaixonado por Educação e Empreendedorismo. Busco encontrar oportunidades de realização pessoal e profissional estimulando o desenvolvimento de pessoas e negócios orientados para impacto social positivo. Procuro fomentar a educação empreendedora e ajudar a estabelecer um ecossistema oportuno ao surgimento de novos negócios que tragam benefícios à sociedade e proporcionem realização para todos os envolvidos.

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