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Dazideia: encontros para compartilhar a inovação inspiram novos negócios

Em um ano, projeto que ajuda empreendedores a aperfeiçoar e divulgar suas ideias cresce e chega a outras cidades

 

Em regiões férteis para a inovação, como o Vale do Silício, não faltam encontros informais em que os participantes se reúnem para apresentar seus projetos, na busca por parceiros, investidores e sócios. Estes meetups, muito comuns em coworkings e também dentro de empresas, inspiraram dois moradores de Florianópolis que atuavam na área de tecnologia e inovação a trazer esse formato de encontro à cidade – e, mais importante, organizá-lo de maneira recorrente para que as ideias e os projetos apresentados possam se desenvolver e engajar mais pessoas.

Foi na turma de 2015 do programa Inglês no Vale, um intercâmbio voltado a empreendedores, que Giovanni Santoro Junior e Camila Ferreira se conheceram e participaram de alguns desses meetups na região de San Francisco. Na volta a Santa Catarina, cada um caiu em sua rotina e, algum tempo depois, começaram a sentir de falta de encontros como aqueles do Vale.

Não que faltassem meetups semelhantes na Grande Florianópolis: eventos promovidos pelo programa de capacitação StartupSC mobilizavam centenas de participantes a cada encontro, e outras iniciativas surgiam, como o Green Drinks, voltado a experiências de sustentabilidade, e o Fuckup Nights, em que empreendedores compartilham seus cases de fracasso.

Como explica Camila: “a maioria dos encontros que aconteciam aqui envolviam um público maior, com startups já estabelecidas. Queríamos atrair quem estava numa fase mais inicial dos projetos e também incentivar que os participantes dessem feedback dessas ideias, o que faltava em outros eventos”. Formada em Secretariado Executivo na UFSC e com pós-graduação em Gestão de Pessoas e RH, Camila trabalhava em uma empresa de TI da Capital quando encontrou por acaso Giovanni e, depois de algumas conversas, deram início ao Dazideia.

Dois apoiadores foram importantes nessa fase: Gabriela Werner, CEO do Impact Hub Floripa, que deu mentorias e auxiliou na estruturação do projeto, e Gui Sarkis, consultor em Inovação e Criatividade, que ajudou na formulação do nome. Instalados no Impact Hub Floripa, o Dazideia organizou o primeiro evento em abril de 2016, no lounge do Centro de Inovação ACATE Primavera, com amigos e parceiros de empresas e universidades ajudando na divulgação.

 

“A gente recebe um público bem diversificado. Há interesse de pessoas outras áreas, além da TI, de criar uma startup, de inovar, mas elas têm dificuldades sobre como começar. Nos nossos eventos, os participantes podem conversar com quem é da área, já empreende ou que pode ser um investidor”, ressalta Camila.

 

Concebido como um espaço para compartilhamento de projetos inovadores, em formato de pitch (apresentações curtas, de três a cinco minutos), o Dazideia também estimula os participantes a escolherem as melhores soluções e darem feedbacks aos empreendedores. No início de cada encontro, os participantes recebem cédulas de uma moeda fictícia (DAZ) com a qual podem “investir” nos melhores projetos. Para quem nunca fez um pitch, uma área do site indica livros e conteúdos para os futuros candidatos se prepararem.

 

Encontro Dazideia em Florianópolis

Em um ano, o Dazideia promoveu 11 eventos na Grande Florianópolis, com 57 projetos apresentados. / Foto: Divulgação/Dazideia

“Nosso investimento financeiro no ano passado não chegou a R$ 100. Compramos o domínio do site e materias para os eventos, como etiquetas e canetas. O resto é dedicação pessoal”, comenta Giovanni, que tem formação em Sistemas de Informação e com MBA em Gerenciamento de Projetos. Depois de largarem outros empregos, hoje ele e Camila se dedicam quase que exclusivamente ao projeto.

Ao completar um ano, o Dazideia já soma 11 encontros em Florianópolis e Palhoça, com 448 participantes e 57 projetos apresentados. Entre eles está o da Bodout, de Florianópolis, que desenvolve sachês para tirar a umidade e o odor de equipamentos esportivos, como tênis, luvas e capacetes. A startup, que se apresentou no programa de TV Shark Tank Brasil atrás de investidores, se prepara para comercializar os produtos também no varejo. Giovanni acredita que, em breve, outros pitchers que passaram pelo Dazideia comecem a se consolidar no mercado: “o ciclo das startup é longo, leva pelo menos uns dois anos para ganhar dinheiro”.

No Festival Dazideia, realizado em abril e que comemorou o primeiro aniversário do projeto, a apresentação mais bem avaliada pelo público foi a de Raphael Coelho, criador da Tutor Mundi, plataforma para ajudar estudantes a encontrar tutores online em tempo real. Seu relato, sobre como um mentor mudou sua vida e ajudou a torná-lo professor de matemática, encantou os presentes:

 

Licenças: modelo para expansão a outros estados

Depois dos primeiros encontros, começaram a surgir convites para levar o Dazideia a outras cidades fora de Santa Catarina. “Financeiramente, era inviável pra gente, porque o evento é bem enxuto, tentamos fazer com o mínimo de custos e não temos ainda um patrocinador, mas foi aí que vimos uma oportunidade e lançamos o modelo de licenças”, explica Giovanni.

Em dois meses, o Dazideia foi licenciado para empreendedores em São Paulo (SP), Goiânia (GO), Dourados (MT) e Criciúma (SC) – que realizou o primeiro evento em abril – e há negociações para levar o projeto para Recife (PE) e Manaus (AM). O custo para o licenciado é de R$ 50 por mês e esta tem sido a principal fonte de receita para o programa. Para manter a essência do projeto, eles recomendam que os encontros sejam sempre enxuto (sem microfone, palco e com um número reduzido de participantes) e com uma dinâmica simples: “é como fazemos nos demais, acabam as apresentações e todo mundo já sai conversando”, diz Camila.

Outro projeto é o de levar o Dazideia ao ambiente corporativo, seguindo a ideia inicial vista no Vale do Silício, e ajudar empresas a estruturar apresentação de projetos inovadores. O tamanho desse mercado? “São mais de 4 milhões de startups cadastradas no Brasil e identificamos pelo menos 300 em Santa Catarina. Em todo o país, mais de 27 milhões de pessoas estão envolvidas com o desenvolvimento de algum projeto”, calcula Giovanni.

 


Notícia original

By | 2017-10-30T18:09:11+00:00 maio 10th, 2017|Notícias|0 Comentários

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