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Aprendizado contínuo é fator de competitividade para organizações inovadoras

Um setor tão dinâmico como o de tecnologia e inovação exige aprendizado contínuo das pessoas inseridas nesse contexto. O mercado muda constantemente, assim como as soluções devem mudar, os serviços e as empresas para alcançarem a velocidade das evoluções e satisfazerem as demandas do segmento.

Embora esse setor, em específico, esteja muito mais aquecido na última década, a questão de transformar as diferentes instituições que estamos inseridos em verdadeiras organizações que aprendem, já é tema da década de 90. Um dos autores referência no assunto é Peter M. Senge, cientista americano, professor sênior no MIT, fundador e diretor da Society for Organizational Learning –  SOL. A obra do autor intitulada A Quinta Disciplina traz reflexões importantes sobre o tema, que vou compartilhar neste artigo.

As disciplinas de uma organização que aprende são pessoais e interligadas, uma não faz sentido sem a outra e cada uma tem a ver com a nossa forma de pensar. Para isso precisamos ter o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis da organização. Tal capacidade está dentro de nós, basta que as organizações descubram como cultivá-la.

É preciso também “desaprender” para poder implementar novas ideias relacionadas a um planejamento, que se desenvolverá conforme as novas necessidades do mercado, estando continuamente em expansão da sua capacidade de criar seu futuro.

As cinco disciplinas são: Domínio pessoal, Modelos mentais, A construção de uma visão compartilhada, Aprendizagem em equipe e o Pensamento sistêmico. Algumas das disciplinas são teorias conhecidas entre nós, porém a quinta disciplina é o diferencial de Senge, pois essa está inserida em todas as outras ao mesmo tempo que contém cada uma delas. Por ser muito mais fácil aplicar novos instrumentos separadamente, do que integrá-los de forma que sejam trabalhados em conjunto, acredito que esse seja o grande desafio para uma instituição que pretende, ou que já implantou a ideia da constituição de uma organização inovadora no comportamento humano.

primeira disciplina, o domínio pessoal, atém-se ao desenvolvimento da nossa capacidade para obter aquilo que desejamos para nós, tendo como base uma tomada de consciência. Devemos ter em mente o que realmente nos é importante, para que possamos alcançar nossos principais objetivos de vida. Senge alega que para tal, deve-se incorporar dois movimentos subjacentes: devemos continuamente esclarecer o que é importante para nós e aprender a enxergar com mais clareza a realidade do momento, pois para que possamos caminhar na direção desejada, devemos saber onde estamos no momento.

Senge afirma que deve-se substituir a tensão emocional pela tensão criativa, ou seja, ao invés de estar sempre ansioso, apreensivo e tendencioso ao fracasso, o indivíduo deve tomar os fracassos e as frustrações como uma oportunidade de crescimento pessoal. As instituições que se empenham em aprender, colocando em prática os princípios do domínio pessoal ao seu dia-a-dia no clima organizacional, encaram a vida como um trabalho criativo e não reativo. É preciso criar espaço para que o indivíduo seja o que é, assim a harmonia surgirá da diversidade.

Cada um de nós tem visões e perspectivas distintas em relação a todo e qualquer acontecimento do mundo, das pessoas e situações, pois agimos intuitivamente  aos nossos modelos mentais. Eles modelam nosso modo de agir, em parte porque influenciam o que vemos. Com a segunda disciplina pretende-se que deixemos nossos modelos mentais aflorarem de forma que possamos repensá-los, em virtude do contexto que a organização se encontra. Para isso deve-se usar técnicas de duas classes: técnicas de reflexão e técnicas de investigação.

As habilidades de reflexão fazem com que observemos como criamos nossos modelos mentais, e as formas como eles influenciam nossas ações. Dessa maneira, começaremos a investigar se tais modelos podem ser adaptados ao crescimento contínuo do ambiente dos negócios em que estamos inseridos. A aprendizagem institucional depende do processo de compartilhamento dos modelos mentais da empresa, de seus mercados e de seus concorrentes. Tal compartilhamento deve ser feito pelas equipes gerenciais. Exige-se assim, mecanismos que busquem tornar essas práticas inevitáveis.

Em uma organização onde se tem uma visão compartilhada, comprometemo-nos a manter essa visão, não só individualmente, mas também em conjunto para que possamos alcançar nossos objetivos em comum. Quando isso acontece as pessoas se sentem mais confiantes e dão tudo de si porque querem se empenhar por suas metas. Muitas vezes, a construção desse tipo de visão se dá pelo carisma de um líder, quando esse traz o foco e a energia necessária para o aprendizado. Um líder, ao dominar essa disciplina, aprende que o importante não é ditar uma visão e sim compartilhá-la com os colaboradores.

Em se tratando de questões humanas, poucas são as forças tão poderosas quanto uma visão compartilhada, pois, como menciona Senge, essa transforma a “empresa deles” em a “nossa empresa”. Em uma organização onde há uma visão compartilhada, os indivíduos sentem-se encorajados a fazer o que for necessário para realizar a visão, pois eles ficam mais propensos a expor suas idéias e reconhecer dificuldades pessoais e organizacionais. Um grupo de pessoas comprometido e incentivado tem uma força muito grande, capaz de fazer tudo aquilo que aspira.

quarta disciplina, como afirma o autor, é de grande importância. Uma vez que as equipes não têm capacidade de aprender, a organização, consequentemente, não a terá. Quando há uma aprendizagem em equipe, há resultados cada vez melhores, tanto na relação empresa versus mercado, quanto no rápido crescimento de seus colaboradores. O diálogo e a discussão são bases do aprendizado. Em um diálogo, o grupo pode discutir suas ideias livremente ao fazer uma análise em questões complexas, sob diferentes pontos de vista. Assim, é desenvolvida a natureza coletiva de raciocínio, uma habilidade de equipe.

Por fim, o pensamento sistêmico (quinta disciplina) foi desenvolvido para esclarecer os padrões como um todo e conhecer bem o todo antes de fazer qualquer intervenção, pois qualquer alteração em um sistema afeta a sua totalidade. Essa disciplina engloba todas as outras, fundindo-as em um corpo coerente de teoria e prática. Proporcionando a visualização das suas inter relações e os processos de mudança. A nova maneira como os indivíduos vêem a si mesmos e ao todo em uma organização que aprende é compreensível através do raciocínio sistêmico.

O cientista expõe de maneira simples e muito interessante a questão das organizações que aprendem, já que essas exigem uma nova visão de liderança. Hoje em dia esse assunto está sendo muito discutido, pois são levadas cada vez mais em consideração as relações humanas dentro de uma instituição.

Portanto, para inovar e promover melhoria contínua nas organizações é necessário que o aprendizado também seja contínuo entre todos os envolvidos, desde atividades simples do dia a dia, até a evolução do sistema como um todo. O que garante competitividade aos negócios e evolução pessoal e profissional de líderes e colaboradores.

By | 2017-10-22T16:29:51+00:00 agosto 17th, 2017|Blog, Propulsor|0 Comentários

Sobre o Autor:

Apaixonada por inovação, busco sempre novos desafios para evolução pessoal e profissional. Convivo há cerca de 5 anos em ambientes que instigam a constante inovação, com atuação em inteligência de mercado e gestão de verticais de negócios tecnológicos, pude entender um pouco do ecossistema de diversos segmentos. Especialista em gestão de pessoas, adoro trabalhar em equipe colaborativamente. Cofundadora do Dazideia, encontro que conecta pessoas e ideias, oportunizando o compartilhamento de projetos inovadores.

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